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<!--
$PostgreSQL: pgsql/doc/src/sgml/perform.sgml,v 1.49 2004/12/23 23:07:38 tgl Exp $
-->
<chapter id="performance-tips">
<title>Dicas de desempenho</title>
<indexterm zone="performance-tips">
<primary>desempenho</primary>
</indexterm>
<para>
O desempenho dos comandos pode ser afetado por vários motivos. Alguns destes
motivos podem ser tratados pelo usuário, enquanto outros são inerentes ao
projeto do sistema subjacente. Este capítulo fornece algumas dicas para
compreender e ajustar o desempenho do <productname>PostgreSQL</productname>.
</para>
<sect1 id="using-explain">
<title>Utilização do comando EXPLAIN</title>
<indexterm zone="using-explain">
<primary>EXPLAIN</primary>
</indexterm>
<indexterm zone="using-explain">
<primary>plano de comando</primary>
</indexterm>
<para>
O <productname>PostgreSQL</productname> concebe um <firstterm>plano de
comando</firstterm> para cada comando recebido. A escolha do plano correto,
correspondendo à estrutura do comando e às propriedades dos dados, é
absolutamente crítico para o bom desempenho. Pode ser utilizado o comando
<xref linkend="sql-explain" endterm="sql-explain-title"> para ver o plano
criado pelo sistema para qualquer comando. A leitura do plano é uma arte
que merece um tutorial extenso, o que este não é; porém, aqui são fornecidas
algumas informações básicas.
</para>
<para>
Os números apresentados atualmente pelo <command>EXPLAIN</command> são:
<itemizedlist>
<listitem>
<para>
O custo de partida estimado (O tempo gasto antes de poder começar a
varrer a saída como, por exemplo, o tempo para fazer a classificação em
um nó de classificação).
</para>
</listitem>
<listitem>
<para>
O custo total estimado (Se todas as linhas fossem buscadas, o que pode
não acontecer: uma consulta contendo a cláusula <literal>LIMIT</literal>
pára antes de gastar o custo total, por exemplo).
</para>
</listitem>
<listitem>
<para>
Número de linhas de saída estimado para este nó do plano (Novamente,
somente se for executado até o fim).
</para>
</listitem>
<listitem>
<para>
Largura média estimada (em bytes) das linhas de saída deste
nó do plano.
</para>
</listitem>
</itemizedlist>
</para>
<para>
Os custos são medidos em termos de unidades de páginas de disco buscadas
(O esforço de CPU estimado é convertido em unidades de páginas de disco,
utilizando fatores estipulados altamente arbitrários. Se for desejado
realizar experiências com estes fatores, consulte a lista de parâmetros de
configuração em tempo de execução na
<xref linkend="runtime-config-query-constants">.)
</para>
<para>
É importante notar que o custo de um nó de nível mais alto inclui o custo de
todos os seus nós descendentes. Também é importante perceber que o custo
reflete apenas as coisas com as quais o planejador/otimizador se preocupa.
Em particular, o custo não considera o tempo gasto transmitindo as linhas do
resultado para o cliente, que pode ser o fator predominante no computo do
tempo total gasto, mas que o planejador ignora porque não pode mudá-lo
alterando o plano (Todo plano correto produz o mesmo conjunto de linhas,
assim se acredita).
</para>
<para>
Linhas de saída é um pouco enganador, porque <emphasis>não</emphasis> é o
número de linhas processadas/varridas pelo comando, geralmente é menos,
refletindo a seletividade estimada de todas as condições da cláusula
<literal>WHERE</literal> aplicadas a este nó. Idealmente, a estimativa de
linhas do nível superior estará próxima do número de linhas realmente
retornadas, atualizadas ou excluídas pelo comando.
</para>
<para>
Abaixo seguem alguns exemplos (utilizando o banco de dados de teste de
regressão após a execução do comando <literal>VACUUM ANALYZE</literal>, e os
códigos fonte de desenvolvimento da versão 7.3):
<screen>
<userinput>EXPLAIN SELECT * FROM tenk1;</userinput>
<computeroutput>
QUERY PLAN
-------------------------------------------------------------
Seq Scan on tenk1 (cost=0.00..333.00 rows=10000 width=148)
</computeroutput>
</screen>
</para>
<para>
Isto é tão direto quanto parece. Se for executado
<programlisting>
SELECT * FROM pg_class WHERE relname = 'tenk1';
</programlisting>
será visto que <classname>tenk1</classname> ocupa 233 páginas de disco e
possui 10.000 linhas. Portanto, o custo é estimado em 233 páginas lidas,
definidas como custando 1.0 cada uma, mais 10.000 *
<xref linkend="guc-cpu-tuple-cost">
que é atualmente 0.01
(execute <command>SHOW cpu_tuple_cost</command> para ver)
(233 + 10.000 * 0,01 = 233 + 100 = 333 - N. do T.).
</para>
<para>
Agora a consulta será modificada para incluir uma condição
<literal>WHERE</literal>:
<screen>
<userinput>EXPLAIN SELECT * FROM tenk1 WHERE unique1 < 1000;</userinput>
<computeroutput>
QUERY PLAN
------------------------------------------------------------
Seq Scan on tenk1 (cost=0.00..358.00 rows=1033 width=148)
Filter: (unique1 < 1000)
</computeroutput>
</screen>
A estimativa de linhas de saída diminuiu por causa da cláusula
<literal>WHERE</literal>. Entretanto, a varredura ainda precisa percorrer
todas as 10.000 linhas e, portanto, o custo não diminuiu; na verdade
aumentou um pouco, para refletir o tempo a mais de CPU gasto verificando
a condição <literal>WHERE</literal>.
</para>
<para>
O número verdadeiro de linhas que esta consulta deveria selecionar é 1.000,
mas a estimativa é somente aproximada. Se for tentado repetir esta
experiência, provavelmente será obtida uma estimativa ligeiramente diferente;
além disso, mudanças ocorrem após cada comando <command>ANALYZE</command>,
porque as estatísticas produzidas pelo <command>ANALYZE</command> são
obtidas a partir de amostras aleatórias na tabela.
</para>
<para>
Modificando-se a consulta para restringir mais ainda a condição
<screen>
<userinput>EXPLAIN SELECT * FROM tenk1 WHERE unique1 < 50;</userinput>
<computeroutput>
QUERY PLAN
-------------------------------------------------------------------------------
Index Scan using tenk1_unique1 on tenk1 (cost=0.00..179.33 rows=49 width=148)
Index Cond: (unique1 < 50)
</computeroutput>
</screen>
será visto que quando fazemos a condição <literal>WHERE</literal> seletiva
o bastante, o planejador decide, finalmente, que a varredura do índice tem
custo menor que a varredura seqüencial. Este plano necessita buscar apenas
50 linhas por causa do índice e, portanto, vence apesar do fato de cada
busca individual ser mais cara que a leitura de toda a página do disco
seqüencialmente.
</para>
<para>
Adição de outra condição à cláusula <literal>WHERE</literal>:
<screen>
<userinput>EXPLAIN SELECT * FROM tenk1 WHERE unique1 < 50 AND stringu1 = 'xxx';</userinput>
<computeroutput>
QUERY PLAN
-------------------------------------------------------------------------------
Index Scan using tenk1_unique1 on tenk1 (cost=0.00..179.45 rows=1 width=148)
Index Cond: (unique1 < 50)
Filter: (stringu1 = 'xxx'::name)
</computeroutput>
</screen>
A condição adicionada <literal>stringu1 = 'xxx'</literal> reduz a estimativa
de linhas de saída mas não o custo, porque deverá ser acessado o mesmo
conjunto de linhas. Deve ser observado que a cláusula
<literal>stringu1</literal> não pode ser aplicada como uma condição do
índice (porque o índice contém apenas a coluna <literal>unique1</literal>).
Em vez disto, é aplicada como um filtro nas linhas trazidas pelo índice.
Portanto, o custo na verdade sobe um pouco para refletir esta verificação
adicional.
</para>
<para>
A seguir é feita a junção de duas tabelas, utilizando as colunas sendo
discutidas:
<screen>
<userinput>EXPLAIN SELECT * FROM tenk1 t1, tenk2 t2 WHERE t1.unique1 < 50 AND t1.unique2 = t2.unique2;</userinput>
<computeroutput>
QUERY PLAN
----------------------------------------------------------------------------
Nested Loop (cost=0.00..327.02 rows=49 width=296)
-> Index Scan using tenk1_unique1 on tenk1 t1
(cost=0.00..179.33 rows=49 width=148)
Index Cond: (unique1 < 50)
-> Index Scan using tenk2_unique2 on tenk2 t2
(cost=0.00..3.01 rows=1 width=148)
Index Cond: ("outer".unique2 = t2.unique2)
</computeroutput>
</screen>
</para>
<para>
Nesta junção de laço aninhado a varredura externa é a mesma varredura de
índice vista no penúltimo exemplo e, portanto, seu custo e quantidade de
linhas são os mesmos, porque está sendo aplicada a cláusula
<literal>unique1 < 50</literal> neste nó.
A cláusula <literal>t1.unique2 = t2.unique2</literal> ainda não é relevante
e, portanto, não afeta a quantidade de linhas da varredura externa.
Para a varredura interna, o valor de <literal>unique2</literal> da linha
da varredura externa corrente é vinculado à varredura interna do índice para
produzir uma condição de índice como
<literal>t2.unique2 = <replaceable>constante</replaceable></literal>.
Portanto, é obtido o mesmo plano e custo para a varredura interna que seria
obtido por, digamos,
<literal>EXPLAIN SELECT * FROM tenk2 WHERE unique2 = 42</literal>.
Os custos do nó do laço são então definidos tomando por base
o custo da varredura externa, mais uma repetição da varredura interna
para cada linha externa (49 * 3.01, neste caso), mais um pouco de
tempo de CPU para o processo de junção.
</para>
<para>
Neste exemplo, a quantidade de linhas de saída da junção é igual ao produto
da quantidade de linhas das duas varreduras, mas isto usualmente não é
verdade porque, em geral, podem existir cláusulas <literal>WHERE</literal>
fazendo menção às duas tabelas e, portanto, só podem ser aplicadas no ponto
de junção, e não às duas varreduras de entrada. Por exemplo, se fosse
adicionado <literal>WHERE ... AND t1.hundred < t2.hundred</literal>,
faria diminuir a quantidade de linhas de saída do nó da junção,
mas não mudaria nenhuma das varreduras da entrada.
</para>
<para>
Uma forma de ver outros planos é forçar o planejador a não considerar a
estratégia que sairia vencedora, habilitando e desabilitando sinalizadores
de cada tipo de plano (Esta é uma ferramenta deselegante, mas útil.
Consulte também a <xref linkend="explicit-joins">).
<screen>
<userinput>
SET enable_nestloop = off;
EXPLAIN SELECT * FROM tenk1 t1, tenk2 t2 WHERE t1.unique1 < 50 AND t1.unique2 = t2.unique2;
</userinput>
<computeroutput>
QUERY PLAN
--------------------------------------------------------------------------
Hash Join (cost=179.45..563.06 rows=49 width=296)
Hash Cond: ("outer".unique2 = "inner".unique2)
-> Seq Scan on tenk2 t2 (cost=0.00..333.00 rows=10000 width=148)
-> Hash (cost=179.33..179.33 rows=49 width=148)
-> Index Scan using tenk1_unique1 on tenk1 t1
(cost=0.00..179.33 rows=49 width=148)
Index Cond: (unique1 < 50)
</computeroutput>
</screen>
Este plano propõe extrair as 50 linhas que interessam de
<classname>tenk1</classname>, usando a mesma varredura de índice anterior,
armazená-las para uso posterior em uma tabela de dispersão (<literal>hash
table</literal>) em memória e, então, fazer uma varredura seqüencial em
<classname>tenk2</classname> procurando possíveis correspondências na tabela
de dispersão para <literal>t1.unique2 = t2.unique2</literal> para
cada linha de <classname>tenk2</classname>.
O custo para ler <classname>tenk1</classname> e montar a tabela
de dispersão é inteiramente custo de partida para a junção
<literal>hash</literal>, porque não haverá nenhuma linha de saída até
começar a leitura de <classname>tenk2</classname>.
O tempo total estimado para a junção também inclui uma pesada carga de tempo
de CPU para verificar a tabela de dispersão 10.000 vezes.
Entretanto, deve ser observado que <emphasis>não</emphasis> está sendo
cobrado 10.000 * 179,33; a montagem da tabela de dispersão é
feita somente uma vez neste tipo de plano.
</para>
<para>
É possível verificar a precisão dos custos estimados pelo planejador
utilizando o comando <command>EXPLAIN ANALYZE</command>. Na verdade este
comando executa a consulta, e depois mostra o tempo real acumulado dentro
de cada nó do plano junto com os custos estimados que o comando
<command>EXPLAIN</command> simples mostraria.
Por exemplo, poderia ser obtido um resultado como este:
<screen>
<userinput>EXPLAIN ANALYZE SELECT * FROM tenk1 t1, tenk2 t2 WHERE t1.unique1 < 50 AND t1.unique2 = t2.unique2;</userinput>
<computeroutput>
QUERY PLAN
-------------------------------------------------------------------------------
Nested Loop (cost=0.00..327.02 rows=49 width=296)
(actual time=1.181..29.822 rows=50 loops=1)
-> Index Scan using tenk1_unique1 on tenk1 t1
(cost=0.00..179.33 rows=49 width=148)
(actual time=0.630..8.917 rows=50 loops=1)
Index Cond: (unique1 < 50)
-> Index Scan using tenk2_unique2 on tenk2 t2
(cost=0.00..3.01 rows=1 width=148)
(actual time=0.295..0.324 rows=1 loops=50)
Index Cond: ("outer".unique2 = t2.unique2)
Total runtime: 31.604 ms
</computeroutput>
</screen>
Deve ser observado que os valores de <quote>actual time</quote> são em
milissegundos de tempo real, enquanto as estimativas de <quote>custo</quote>
(<literal>cost</literal>) são expressas em unidades arbitrárias de busca em
disco; portanto, não é provável haver correspondência. É nas relações que
se deve prestar atenção.
</para>
<para>
Em alguns planos de comando é possível que um nó de subplano seja executado
mais de uma vez. Por exemplo, a varredura de índice interna é executada uma
vez para cada linha externa no plano de laço aninhado acima. Nestes casos,
o valor <quote>loops</quote> (laços) expressa o número total de execuções
do nó, e os valores <literal>actual time</literal> (tempo real) e
<literal>rows</literal> (linhas) mostrados são valores médios por execução.
Isto é feito para tornar os números comparáveis com o modo como as
estimativas de custo são mostradas. Deve ser multiplicado pelo valor
<quote>loops</quote> para obter o tempo total realmente gasto no nó.
</para>
<para>
O <literal>Total runtime</literal> (tempo total de execução) mostrado pelo
<command>EXPLAIN ANALYZE</command> inclui os tempos de inicialização e de
finalização do executor, assim como o tempo gasto processando as linhas do
resultado. Não inclui os tempos de análise, reescrita e planejamento.
Para um comando <command>SELECT</command>, o tempo total de execução
normalmente será apenas um pouco maior que o tempo total informado para o
nó do plano de nível mais alto. Para os comandos <command>INSERT</command>,
<command>UPDATE</command> e <command>DELETE</command> , o tempo total de
execução pode ser consideravelmente maior, porque inclui o tempo gasto
processando as linhas do resultado. Nestes comandos, o tempo para o nó
superior do plano é, essencialmente, o tempo gasto computando as novas
linhas e/ou localizando as linhas antigas, mas não inclui o tempo gasto
realizando as alterações.
O tempo gasto disparando os gatilhos, se houver algum, está fora do
nó superior do plano, sendo mostrado separadamente para cada gatilho.
</para>
<para>
Vale a pena notar que os resultados do comando <command>EXPLAIN</command>
não devem ser extrapolados para outras situações além da que está sendo
testada; por exemplo, não é possível supor que os resultados para uma tabela
pequena possam ser aplicados a uma tabela grande.
As estimativas de custo do planejador não são lineares e, portanto, podem
ser escolhidos planos diferentes para tabelas maiores ou menores.
Um exemplo extremo é o de uma tabela que ocupa uma única página em disco,
onde quase sempre vence o plano de varredura seqüencial, havendo índices
disponíveis ou não.
O planejador percebe que fará a leitura de uma página do disco para
processar a tabela em qualquer caso e, portanto, não faz sentido fazer
leituras de páginas adicionais para procurar em um índice.
</para>
</sect1>
<sect1 id="planner-stats">
<title>Estatísticas utilizadas pelo planejador</title>
<indexterm zone="planner-stats">
<primary>estatísticas</primary>
<secondary>do planejador</secondary>
</indexterm>
<para>
Conforme visto na seção anterior, o planejador de comandos precisa estimar
o número de linhas buscadas pelo comando para poder fazer boas escolhas dos
planos de comando. Esta seção fornece uma rápida visão das estatísticas
utilizadas pelo sistema para fazer estas estimativas.
</para>
<para>
Um dos componentes da estatística é o número total de entradas em cada tabela
e índice, assim como o número de blocos de disco ocupados por cada tabela e
índice. Esta informação é mantida nas colunas
<structfield>reltuples</structfield> e <structfield>relpages</structfield>
da tabela
<link linkend="catalog-pg-class"><structname>pg_class</structname></link>,
podendo ser vista utilizando consultas
semelhantes à mostrada abaixo:
<screen>
<userinput>SELECT relname, relkind, reltuples, relpages FROM pg_class WHERE relname LIKE 'tenk1%';</userinput>
<computeroutput>
relname | relkind | reltuples | relpages
---------------+---------+-----------+----------
tenk1 | r | 10000 | 233
tenk1_hundred | i | 10000 | 30
tenk1_unique1 | i | 10000 | 30
tenk1_unique2 | i | 10000 | 30
(4 linhas)
</computeroutput>
</screen>
Pode ser visto que <structname>tenk1</structname> contém 10.000 linhas,
assim como seus índices, mas que os índices são (sem surpresa) muito
menores que a tabela.
</para>
<para>
Por razões de eficiência, as colunas <structfield>reltuples</structfield>
e <structfield>relpages</structfield> não são atualizadas dinamicamente e,
portanto, usualmente contêm valores um pouco desatualizados.
São atualizadas pelos comandos <command>VACUUM</>, <command>ANALYZE</> e
uns poucos comandos de DDL como <command>CREATE INDEX</>.
Um comando <command>ANALYZE</> autônomo, ou seja, não fazendo parte do
<command>VACUUM</>, gera um valor aproximado para
<structfield>reltuples</structfield> uma vez que não lê todas as linhas da
tabela.
O planejador faz uma proporcionalidade dos valores encontrados em
<structname>pg_class</structname> para que correspondam ao tamanho
físico corrente da tabela, obtendo assim uma estimativa mais próxima.
</para>
<indexterm>
<primary>pg_statistic</primary>
</indexterm>
<para>
A maioria dos comandos busca apenas uma fração das linhas da tabela, porque
possuem cláusulas <literal>WHERE</literal> que restringem as linhas a serem
examinadas. Portanto, o planejador precisa fazer uma estimativa da
<firstterm>seletividade</firstterm> das cláusulas <literal>WHERE</literal>,
ou seja, a fração das linhas correspondendo a cada condição na cláusula
<literal>WHERE</literal>. A informação utilizada para esta tarefa é
armazenada no catálogo do sistema
<link linkend="catalog-pg-statistic"><structname>pg_statistic</structname></link>.
As entradas em <structname>pg_statistic</structname>
são atualizadas pelos comandos <command>ANALYZE</command> e
<command>VACUUM ANALYZE</command>, sendo sempre aproximadas, mesmo logo após
serem atualizadas.
</para>
<indexterm>
<primary>pg_stats</primary>
</indexterm>
<para>
Em vez de olhar diretamente em <structname>pg_statistic</structname>,
é melhor olhar sua visão <structname>pg_stats</structname> ao se
examinar as estatísticas manualmente.
A visão <structname>pg_stats</structname> foi projetada para ser lida mais
facilmente.
Além disso, <structname>pg_stats</structname> pode ser lida por todos,
enquanto <structname>pg_statistic</structname> somente pode ser lida pelos
superusuários (Isto impede que usuários não privilegiados aprendam algo sobre
o conteúdo das tabelas de outras pessoas a partir de suas estatísticas.
A visão <structname>pg_stats</structname> tem como restrição mostrar somente
informações sobre as tabelas que o usuário corrente pode ler).
Por exemplo, podemos executar:
<screen>
<userinput>SELECT attname, n_distinct, most_common_vals FROM pg_stats WHERE tablename = 'road';</userinput>
<computeroutput>
attname | n_distinct | most_common_vals
---------+------------+---------------------------------------------
name | -0.467008 | {"I- 580 Ramp", ... }
thepath | 20 | {"[(-122.089,37.71),(-122.0886,37.711)]"}
(2 linhas)
</computeroutput>
/*
* onde ... representa:
* "I- 880 Ramp",
* "Sp Railroad ",
* "I- 580 ",
* "I- 680 Ramp",
* "I- 80 Ramp",
* "14th St ",
* "5th St ",
* "Mission Blvd",
* "I- 880 "
*/
</screen>
</para>
<para>
A visão <structname>pg_stats</structname> está descrita detalhadamente na
<xref linkend="view-pg-stats">.
</para>
<para>
A quantidade de informação armazenada em
<structname>pg_statistic</structname>,
em particular o número máximo de entradas nas matrizes
<structfield>most_common_vals</structfield> e
<structfield>histogram_bounds</structfield>
para cada coluna, podem ser definidas coluna por coluna utilizando o comando
<command>ALTER TABLE SET STATISTICS</command>,
ou globalmente definindo a variável de configuração
<xref linkend="guc-default-statistics-target">.
Atualmente o limite padrão são 10 entradas.
Aumentar o limite pode permitir que o planejador faça estimativas mais
precisas, particularmente para colunas com distribuição irregular dos dados,
porém consumindo mais espaço na tabela <structname>pg_statistic</structname>
e um pouco mais de tempo para computar as estimativas.
Inversamente, um limite mais baixo pode ser apropriado para colunas com
distribuição dos dados simples.
</para>
</sect1>
<sect1 id="explicit-joins">
<title>Controle do planejador com cláusulas JOIN explícitas</title>
<indexterm zone="explicit-joins">
<primary>junção</primary>
<secondary>controle da ordem</secondary>
</indexterm>
<para>
É possível ter algum controle sobre o planejador de comandos utilizando a
sintaxe <literal>JOIN</literal> explícita. Para saber por que isto tem
importância, primeiro é necessário ter algum conhecimento.
</para>
<para>
Em uma consulta de junção simples, como
<programlisting>
SELECT * FROM a, b, c WHERE a.id = b.id AND b.ref = c.id;
</programlisting>
o planejador está livre para fazer a junção das tabelas em qualquer ordem.
Por exemplo, pode gerar um plano de comando que faz a junção de A com B
utilizando a condição <literal>a.id = b.id</literal> do
<literal>WHERE</literal> e, depois, fazer a junção de C com a tabela juntada
utilizando a outra condição do <literal>WHERE</literal>.
Poderia, também, fazer a junção de B com C e depois juntar A ao resultado.
Ou, também, fazer a junção de A com C e depois juntar B, mas isto não seria
eficiente, uma vez que deveria ser produzido o produto Cartesiano completo
de A com C, porque não existe nenhuma condição aplicável na cláusula
<literal>WHERE</literal> que permita a otimização desta junção (Todas as
junções no executor do <productname>PostgreSQL</productname> acontecem entre
duas tabelas de entrada sendo, portanto, necessário construir o resultado a
partir de uma ou outra destas formas).
O ponto a ser destacado é que estas diferentes possibilidades de junção
produzem resultados semanticamente equivalentes, mas podem ter custos de
execução muito diferentes.
Portanto, o planejador explora todas as possibilidades tentando encontrar o
plano de consulta mais eficiente.
</para>
<para>
Quando uma consulta envolve apenas duas ou três tabelas não existem muitas
ordens de junção com que se preocupar. Porém, o número de ordens de junção
possíveis cresce exponencialmente quando o número de tabelas aumenta.
Acima de dez tabelas de entrada não é mais prático efetuar uma procura
exaustiva por todas as possibilidades, e mesmo para seis ou sete tabelas o
planejamento pode levar um longo tempo.
Quando existem muitas tabelas de entrada, o planejador do
<productname>PostgreSQL</productname> pode alternar da procura exaustiva
para a procura probabilística <firstterm>genética</firstterm> através de
um número limitado de possibilidades (O ponto de mudança é
definido pelo parâmetro em tempo de execução
<xref linkend="guc-geqo-threshold">).
A procura genética leva menos tempo, mas não encontra necessariamente
o melhor plano possível.
</para>
<para>
Quando a consulta envolve junções externas, o planejador tem muito menos
liberdade que com as junções puras (internas). Por exemplo, considere:
<programlisting>
SELECT * FROM a LEFT JOIN (b JOIN c ON (b.ref = c.id)) ON (a.id = b.id);
</programlisting>
Embora as restrições desta consulta sejam superficialmente semelhantes às do
exemplo anterior as semânticas são diferentes, porque deve ser gerada uma
linha para cada linha de A que não possua linha correspondente na junção de
B com C. Portanto, o planejador não pode escolher a ordem de junção neste
caso: deve fazer a junção de B com C e depois juntar A ao resultado.
Portanto, esta consulta leva menos tempo para ser planejada que a consulta
anterior.
</para>
<para>
A sintaxe de junção interna explícita (<literal>INNER JOIN</literal>,
<literal>CROSS JOIN</literal> ou <literal>JOIN</literal> sem adornos)
é semanticamente idêntica a listar as relações de entrada na cláusula
<literal>FROM</literal>, portanto não precisa restringir a ordem de junção.
Ainda assim é possível instruir o planejador de comandos do
<productname>PostgreSQL</productname> para que trate os
<literal>JOIN</literal>s internos explícitos como restringindo a ordem de
junção. Por exemplo, estas três consultas são logicamente equivalentes:
<programlisting>
SELECT * FROM a, b, c WHERE a.id = b.id AND b.ref = c.id;
SELECT * FROM a CROSS JOIN b CROSS JOIN c WHERE a.id = b.id AND b.ref = c.id;
SELECT * FROM a JOIN (b JOIN c ON (b.ref = c.id)) ON (a.id = b.id);
</programlisting>
Mas se dissermos ao planejador para que respeite a ordem do
<literal>JOIN</literal>, a segunda e a terceira consultas levam menos tempo
para serem planejadas que a primeira. Não vale a pena se preocupar com
este efeito para apenas três tabelas, mas pode ser de grande valia para
muitas tabelas.
</para>
<para>
Para obrigar o planejador seguir a ordem do <literal>JOIN</literal> para as
junções internas, deve ser definido o parâmetro em tempo de execução
<xref linkend="guc-join-collapse-limit">
como 1 (São mostrados abaixo outros valores possíveis).
</para>
<para>
Não é necessário restringir completamente a ordem de junção para diminuir
o tempo de procura, porque podem ser utilizados operadores
<literal>JOIN</literal> entre os itens da lista <literal>FROM</literal>
pura. Por exemplo,
<programlisting>
SELECT * FROM a CROSS JOIN b, c, d, e WHERE ...;
</programlisting>
Com <varname>join_collapse_limit</varname> = 1 isto obriga o planejador a
fazer a junção de A com B antes de juntá-las às outras tabelas, mas não
restringe suas escolhas além disso. Neste exemplo, o número de ordens de
junção possíveis é reduzido por um fator de 5.
</para>
<para>
Restringir a procura do planejador desta maneira é uma técnica útil tanto
para reduzir o tempo de planejamento quanto para direcionar o planejador
para um bom plano de comando. Se o planejador escolher uma ordem de junção
ruim por padrão, é possível forçá-lo a escolher uma ordem melhor por meio da
sintaxe do <literal>JOIN</literal> — assumindo que se conheça uma
ordem melhor. Recomenda-se realizar experiências.
</para>
<para>
Uma questão intimamente relacionada, que afeta o tempo de planejamento, é o
colapso das subconsultas dentro da consulta ancestral. Por exemplo, considere
<programlisting>
SELECT *
FROM x, y,
(SELECT * FROM a, b, c WHERE alguma_coisa) AS ss
WHERE uma_outra_coisa;
</programlisting>
Esta situação pode ocorrer quando se utiliza uma visão contendo uma junção;
a regra <literal>SELECT</literal> da visão é inserida no lugar da referência
à visão, produzindo uma consulta muito parecida com a mostrada acima.
Normalmente, o planejador tenta fazer o colapso da subconsulta dentro da
consulta externa, produzindo
<programlisting>
SELECT * FROM x, y, a, b, c WHERE alguma_coisa AND uma_outra_coisa;
</programlisting>
Geralmente isto resulta em um plano melhor que planejar a subconsulta
separadamente (Por exemplo, as condições do <literal>WHERE</literal> externo
podem ser tais que a junção de X com A primeiro elimine muitas linhas de A
evitando, portanto, a necessidade de formar a saída lógica completa da
subconsulta). Mas ao mesmo tempo foi aumentado o tempo de planejamento;
agora temos um problema de junção de cinco vias no lugar de dois problemas
de junção de três vias separados. Devido ao crescimento exponencial do número
de possibilidades, isto faz uma grande diferença. O planejador tenta evitar
ficar preso a problemas de procura de junção grande não fazendo o colapso da
subconsulta se resultar em mais que <varname>from_collapse_limit</varname>
itens na cláusula <literal>FROM</literal> da consulta externa. É possível
equilibrar o tempo de planejamento versus a qualidade do plano ajustando
este parâmetro de tempo de execução para cima ou para baixo.
</para>
<para>
<xref linkend="guc-from-collapse-limit"> e
<xref linkend="guc-join-collapse-limit">
possuem nomes semelhantes porque fazem praticamente a mesma coisa: um
controla quando o planejador irá <quote>aplanar</quote>
(<literal>flatten out</literal>) as subconsultas, e o outro controla quando
serão aplanadas as junções internas explícitas.
Normalmente <varname>join_collapse_limit</varname> é definido igual a
<varname>from_collapse_limit</varname> (fazendo as junções explícitas e as
subconsultas agirem da mesma maneira), ou
<varname>join_collapse_limit</varname> é definido igual a 1
(se for desejado controlar a ordem de junção com junções explícitas).
Mas podem ser definidas com valores diferentes quando se tenta aprimorar o
equilíbrio entre o tempo de planejamento e o tempo de execução.
</para>
</sect1>
<sect1 id="populate">
<title>Carga dos dados no banco</title>
<para>
Pode ser necessário inserir uma grande quantidade de dados ao se fazer a
carga inicial do banco de dado. Esta seção contém algumas sugestões sobre
como tornar este processo tão eficiente quanto possível.
</para>
<sect2 id="disable-autocommit">
<title>Desabilitar a efetivação automática</title>
<indexterm>
<primary>auto-efetivação</primary>
<secondary>carga de dados volumosa</secondary>
</indexterm>
<para>
Desabilitar a efetivação automática (<literal>autocommit</literal>) e fazer
apenas uma efetivação no final (Em puro SQL, isto significa executar
<command>BEGIN</command> no começo e <command>COMMIT</command> no fim.
Algumas bibliotecas cliente podem fazer isto às escondidas e, neste caso,
é preciso ter certeza que a biblioteca só faz quando se deseja que seja
feito). Se permitirmos efetivar cada inserção separadamente, o
<productname>PostgreSQL</productname> terá muito trabalho para cada linha
inserida. Um benefício adicional de fazer todas as inserções em uma
transação, é que se a inserção de uma linha não for bem-sucedida, então
a inserção de todas as linhas feita até este ponto é desfeita, não sendo
necessário se preocupar com a carga parcial dos dados.
</para>
</sect2>
<sect2 id="populate-copy-from">
<title>Uso do COPY FROM</title>
<para>
Usar o comando <xref linkend="sql-copy" endterm="sql-copy-title"> para
carregar todas as linhas em um comando, em vez de usar uma série de
comandos <command>INSERT</command>. O comando <command>COPY</command>
é otimizado para carregar uma grande quantidade de linhas; é menos
flexível que o comando <command>INSERT</command>, mas ocasiona uma
sobrecarga significativamente menor para cargas de dados volumosas.
Uma vez que o comando <command>COPY</command> é um único comando,
não é necessário desabilitar a auto-efetivação se for utilizado
este método para carregar a tabela.
</para>
<para>
Se não for possível utilizar o comando <command>COPY</command>, pode
ser útil utilizar o comando
<xref linkend="sql-prepare" endterm="sql-prepare-title">
para criar comandos <command>INSERT</command> preparados, e depois usar
o comando <command>EXECUTE</command> tantas vezes quanto forem necessárias.
Isto evita a sobregarga de analisar e planejar o comando
<command>INSERT</command> repetidas vezes.
</para>
<para>
Deve-se notar que carregar uma grande quantidade de linhas utilizando o
comando <command>COPY</command> é quase sempre mais rápido que utilizando
o comando <command>INSERT</command>, mesmo que o comando
<command>PREPARE</> seja utilizado e sejam feitas várias inserções em lote
em uma única transação.
</para>
</sect2>
<sect2 id="populate-rm-indexes">
<title>Remoção dos índices</title>
<para>
Se estiver sendo carregada uma tabela recém criada, a maneira mais rápida é
criar a tabela, carregar os dados usando o <command>COPY</command> e,
depois, criar os índices necessários para a tabela.
Criar um índice sobre dados pré-existentes é mais rápido que atualizá-lo
de forma incremental durante a carga de cada linha.
</para>
<para>
Para aumentar uma tabela existente, pode-se remover o índice, carregar a
tabela e, depois, recriar o índice. É claro que o desempenho do banco de
dados para os outros usuários será afetado negativamente durante o tempo
que o índice não existir. Deve-se pensar duas vezes antes de remover um
índice único, porque a verificação de erro efetuada pela restrição de
unicidade não existirá enquanto o índice não tiver sido criado novamente.
</para>
</sect2>
<sect2 id="populate-work-mem">
<title>Aumento de maintenance_work_mem</title>
<para>
O aumento temporário da variável de configuração
<xref linkend="guc-maintenance-work-mem">
durante a carga de uma grande quantidade de dados pode ocasionar uma
melhora no desempenho. Isto se deve ao fato de quando o índice
<literal>B-tree</literal> é criado a partir do início, o conteúdo presente
na tabela precisa ser ordenado. Permitir o <literal>merge sort</literal>
<footnote>
<para>
<literal>merge sort</literal> — Um algoritmo de classificação que
divide os itens a serem classificados em dois grupos, classifica cada grupo
recursivamente e, depois, mescla os grupos em uma seqüência classificada
final.
<ulink url="http://www.nist.gov/dads/HTML/mergesort.html">National
Institute of Standards and Technology</ulink> (N. do T.)
</para>
</footnote>
utilizar mais memória significa que serão necessários menos passos de
mesclagem. Uma definição maior para <varname>maintenance_work_mem</varname>
também pode acelerar a validação de restrições de chave estrangeira.
</para>
</sect2>
<sect2 id="populate-checkpoint-segments">
<title>Aumento de checkpoint_segments</title>
<para>
O aumento temporário da variável de configuração
<xref linkend="guc-checkpoint-segments">
também pode tornar as cargas de dados volumosas mais rápidas.
Isto se deve ao fato de quando uma grande quantidade de dados é carregada
no <productname>PostgreSQL</productname>, isto pode fazer com que os pontos
de controle (<literal>checkpoints</literal>) ocorram com mais freqüência
que a freqüência normal de ponto de controle (especificada pela variável
de configuração <varname>checkpoint_timeout</varname>).
Sempre que ocorre um ponto de controle, todas as páginas sujas
(<literal>dirty pages</literal>) devem ser descarregadas no disco.
Aumentado-se <varname>checkpoint_segments</varname> temporariamente durante
uma carga volumosa, o número de pontos de controle necessários pode ser
menor.
</para>
</sect2>
<sect2 id="populate-analyze">
<title>Depois executar o comando ANALYZE</title>
<para>
Após se alterar significativamente a distribuição dos dados da tabela,
é recomendado executar o comando
<xref linkend="sql-analyze" endterm="sql-analyze-title">.
Isto inclui a carga de grande quantidade de dados na tabela.
A execução do comando <command>ANALYZE</command> (ou
<command>VACUUM ANALYZE</command>) garante que o planejador possuirá
estatísticas atualizadas sobre a tabela.
Sem estatísticas, ou com estatísticas obsoletas, o planejador pode
tomar decisões ineficientes durante o planejamento dos comandos,
ocasionando um desempenho fraco nas tabelas com estatísticas
imprecisas ou não existentes.
</para>
</sect2>
</sect1>
</chapter>
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